quarta-feira, 19 de maio de 2010

sem querer, fui para o monte everest = 3º capitulo do livro

Aquela foi uma manhã muito divertida na escola. Não para mim, claro – bem, para mim até que foi, mas nem tanto. - Para os outros alunos. A professora começou o discurso:

- Bem, gente, tenho uma novidade para todos vocês.

- O que será agora? – disse Charles, o menino mais idiota e bagunceiro da sala.

- Charles, fique quieto – disse a professora. – Chiiiiiiiii. – fez ela com o dedo na frente da boca, mandando ele e a classe ficarem em silêncio. – Bem, como eu ia dizendo... – ela pegou um papel na mesa e o mostrou para a classe. Na hora em que ela mostrou todos gritaram e pularam, por que acabáramos de ganhar um viajem de prêmio do concurso anual de escola exemplar. Bom, não sei para onde, mas ganháramos um viajem. – Ganhamos um viajem para o Rio de Janeiro. Vamos sair daqui, umas oito horas, então voltem para suas casas, e peguem o que vão precisar.

Então todos saíram correndo da sala. Menos eu. Fui andando normalmente. Quer dizer, só até eu sair do portão para fora por que eu sinceramente também estava muito entusiasmado com a viagem.

Cheguei em casa.

- Oi mãe! Vou viajar para Rio de Janeiro com a escola. Posso ir não é?

- Oi... mas é... claro, filho, vá!

- Obrigado!

Ela sorriu, e eu também.

Peguei as minhas coisas, e saí correndo de lá, para a escola. Nessa hora não ligava para a casa abandonada nem em nada que havia atrapalhado minha vida esses últimos dias. Só pensava na viajem esperada por um ano inteirinho. Legal.

Cheguei à escola, e o portão entrada/saída estava aberto. Entrei, mas ninguém estava dentro de sala alguma. Todos estavam espalhados pelos corredores, pelo refeitório, pela praça, pela escola inteira.

Fiquei perto do portão mesmo, já íamos sair, pois deviam ser um sete e cinqüenta e cinco.

Estava certo. Uns minutos depois o sinal tocou, e uma professora estranha junto com a nossa professora chamou todos para o ônibus, e lá dentro deu a regras de comportamento, e contou os alunos. Havia mais de cinco ônibus estacionados na rua da escola, para todos os alunos.

- Vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta, trinta e um... e... trinta e dois. Certo. Podemos ir.

Foi ai que então o motorista acelerou e arrancou o ônibus do estacionamento.

Foi uma viagem intensa – claro, íamos para Rio de Janeiro – com solavancos no ônibus que chutavam nosso traseiro, e íamos para cima.

A viagem demorou muito, mas não sei quanto, por que não tinha relógio. Era mais de uma hora, isso eu garanto.

Chegamos ao hotel que íamos nos instalar. Deixa eu te explicar: quando a gente ganha uma viagem, ela vai de quatro a cinco dias, por isso temos de achar um lugar para nos inspedar durante esse período. Então, como ia dizendo, chegamos ao hotel. Eram – contando com todas as salas - mais ou menos duzentos alunos. Acho que teríamos que pegar uns sete quartos? Não sei. Só que teria de ser mais de um.

Entramos, e demos de cara com um balcão organizado, e um homem de meia-idade que mexia no computador, com cara de “eu-te-odeio”. O inspetor de nossa escola falou:

- Vocês têm quartos para esse tanto de gente? Somos a escola que ganhou o concurso anual.

- Ahn... – ele nos fitou bravamente de cima a baixo. – Sim. Por aqui.

- Obrigado.

Seguimo-lo para os quartos. Uma turma de vinte alunos, mais ou menos, ficou no quarto duzentos e dois. O próximo quarto, duzentos e três, ficaram eu e mais dezenove alunos que eu não conhecia. E o resto dos alunos eu não sei, por que não os segui para o restante dos quartos.

Dentro do quarto mínimo, quase nem cabiam todos os alunos, e falavam até demais sobre a viagem.

Esperei, então, até receber as ordens do inspetor da escola.

De repente, alguém girou a maçaneta do nosso quarto, e apareceu uma professora estranha, que eu não tinha aula com ela. Ela disse:

- Muito bem. Silencio!

Todos repentinamente se calaram. Eles deviam ter aula com ela, e por acaso ela era a mais brava das professoras, por isso ficaram quietos tão rápido.

- Sou eu a professora que irei me inspedar também com vocês nesse quarto para não deixar que façam muita bagunça.

- Ahhhhhhhhhhh... – todos falaram de uma só vez.

- E calem a boca!

Eu não acreditava que iria passar quatro ou mais dias convivendo com essa professorazinha. Era um pesadelo, só pode.

Perguntei:

- Professora, que horas são?

- Ahn... – ela ergueu o punho na frente do rosto – Onze e meia.

- Obrigado.

- De nada. – ela me olhou de cima a baixo, devendo se perguntar quem eu era, pois não tinha aula com ela. – Ahn... quem é você?

- Sou Phrederick. Da sexta série B.

- Ah, sim.

Eu sorri.

Acho que meia hora depois, o inspetor e mais o resto da sala atrás dele, bateram á nossa porta. Legal, Íamos sair. Ele disse algumas coisas para a professora representante do nosso quarto, e depois desapareceu para baixo. Acho que ele falou para ela nos contar a respeito do que haviam conversado, por que depois ela nos chamou:

- Ei, gente, silêncio que preciso dizer uma coisa para vocês – ela esperou.

- Sim, senhora! – disse um garoto, pondo e tirando a mão da testa igual um sargento.

O quarto inteiro riu, até a professora.

- Bom, silencio – ela pediu de novo. – Como viram o inspetor veio até aqui pedir para descermos até os ônibus... – todos gritaram e ela parou de falar. – Gente. Se não fizerem silencio, não desço com vocês.

- Pronto professora, já calaram a boca! – aquele mesmo aluno disse novamente.

- Obrigada, Paul. Agora se sente, e também fique quieto.

Gostei quando ela disse isso porque ele parecia um tremendo de um puxa saco. Ela continuou a falar:

- Como eu disse, o inspetor mandou nós descermos até os ônibus, para irmos até a praia. – disse ela. – Agora em silencio, desçam comigo até lá, organizados, O.K.?

- Sim. – todos disseram.

- Esta bem.

Ela abriu a porta e fez um gesto para todos irem descendo.

- Gente, pode ir descendo que eu estou logo atrás de vocês.

Então todos saíram, e eu fui junto.

Descemos até lá em baixo, e passamos novamente pelo cara do balcão.

Chegamos até nosso ônibus e a professora que ficara no nosso quarto foi para o ônibus estacionado atrás do nosso, e a minha professora de sala de aula veio para o nosso ônibus – o ônibus que ela viera - e contou os alunos novamente para podermos embarcar até a praia.

Demorou acho que meia hora só para ir até a praia.

Chegamos e todos tiraram a roupa de cima por que estavam com uma roupa de banho por baixo e foram para a praia. Eu havia esquecido de colocar uma roupa de banho, então deixei para aproveitar a praia uma outra vez que viéssemos para lá naquela viagem.

E, de repente, alguma coisa aconteceu.

- Phrederick... – gritou a voz que havia ouvido no bueiro – venha!

Não consegui falar nada, não sei por que, parecia que alguém estava tampando minha boca. Não sei, mas não conseguia me mexer, a não ser para a direção da voz. Continuei andando até que a voz disse quando eu estava em uma cabaninha pequena no meio da praia:

- Agora entre nessa cabana.

Entrei e ela continuou:

- Agora, mais uma vez, entre nesse caixão, e quando sentir que já está bom, saia... – e a voz se foi mais uma vez.

Não consegui fazer nada além de obedecer. Entrei na cabaninha e depois no pequeno caixão que dava o comprimento certinho para mim.

De repente senti um frio exagerado no caixãozinho e senti uma coisa estranha que não dá muito bem para explicar. Presumi que já era hora de sair daquela cabana. Mas agora não recebia ordens e nem era obrigado a fazer nada. Agora se eu quisesse, ficaria naquela cabana o resto da vida, o que seria uma boa idéia, para nunca mais ouvir nenhuma voz estranha, se é que ajudaria. Mas decidi que não queria apodrecer em um caixão, numa cabana qualquer em uma praia do litoral. E a voz me mandara sair quando sentisse o aviso, se não sabe lá o que poderia acontecer comigo. E eu não queria saber o que iria acontecer se eu não saísse. Sai do caixão. E quando girei a maçaneta da porta da cabana, e vi o que estava me esperando, não pude acreditar. Fiz uma viagem de não sei quantos quilômetros, pois estava agora, em um lugar extraordinário. Um lugar que nem eu podia acreditar que estava. Aquilo, com toda a certeza do mundo, não era nem um pouco real, pois eu viajei em cinco segundos para um lugar que só dava para chegar em mais – eu acho – de quinze horas. Saí, então, da cabaninha tão pequena - que apenas cabia aquele único caixão lá dentro, - e fui explorar o Monte Everest.

Nenhum comentário:

Postar um comentário