domingo, 23 de maio de 2010

o recepcionista tenta nos matar = 7º capitulo do livro

- E então? – falei por fim baixinho.

- Ahn... – pensou Sandy.

- Falamos para ele que vamos comprar pães sei lá. – sugeriu Hisent.

- Não da para falarmos que iremos comprar algo. Aqui no hotel eles já têm tudo para dar aos hospedes. – respondeu Sandy.

- Verdade. Teremos de despistá-lo para sairmos. – disse eu.

- Já sei! – disse Hisent.

- O que é? – eu disse.

- Algum de nós vai lá, e pede para ele que mande o café da manhã para um dos quartos. Ele irá ter de se levantar e pedir isso ao cozinheiro. Enquanto ele vai até lá, saímos daqui.

- Perfeito! – disse Sandy.

- Bom, então vamos exercer o plano. Quem vai lá falar com ele?

- Eu! – disse.

- Tudo bem. Sabe o que fazer não é?

- Tudo tranqüilo Hisent!

- Certo.

- Pode ir.

- Espere! – falou Sandy.

- O que? – disse eu e Hisent juntos.

- Se você for com sua mala ele ira desconfiar. Deixe-a aqui que levamos para você.

- Hmmm. Obrigado por lembrar disso. – Hisent disse para ela e eu fui levar a mala de volta até eles.

- Agora, pode ir.

Sai de onde estávamos e fui direto ao balcão enorme e ao recepcionista com aquela cara horrível. Ele estava lendo uma revista quando cheguei perto dele. Toquei a campainha, porque parecia que ele não havia me visto.

- Olá! Posso ajudar?

- Sim... ahn... minha professora mandou eu vir até aqui para que avisasse o senhor que já pode levar o café da manhã até lá.

- Certo. Qual o quarto?

- Ah sim... duzentos e dois.

- Sim.

Ele então tocou uma campainha embaixo do balcão. De repente vieram dois homens de uma porta que havia atrás do balcão, mais ou menos a dois metros atrás.

Os homens disseram:

- Senhor?

- A professora deste menino do quarto duzentos e dois pediu para levarem o café da manhã para lá, certo?

- Sim, senhor.

Então os homens que saíram da porta um pouco atrás de onde estávamos, voltaram para lá, onde devia ser a cozinha por que primeiro: eles estavam em traje de cozinheiros ou coisa assim. Segundo: o recepcionista com certeza iria pedir o café da manhã na cozinha, claro, então não havia duvidas. Não havia duvidas de outra coisa também: nosso plano havia falhado. Teríamos que bolar uma outra coisa sem que ele percebesse de nada. O cara do balcão me olhou, olhou e disse por fim:

- E então? – ele não parava de me olhar.

- Ahn... – não sabia o que falar. Foi só aí que me dei conta de que já devia ter voltado para meu “quarto”. O que ele estaria pensando agora? – Obrigado! – disse.

- Por nada – e pela primeira vez eu vi aquele cara dar uma risadinha que fosse.

Voltei para onde eu e meus amigos estavam já pensando em outra coisa mais esperta a fazer.

- O que aconteceu? – disse Sandy.

- Ele, se você não viu, não precisou se levantar para chamar os cozinheiros! Satisfeita? – disse.

- É! Não muito pela sua incompetência!

- O que você queria que eu fizesse? Não...

- Acalmem-se. – disse Hisent.

- Ah, legal. Nosso plano vai por água abaixo e temos de nos acalmar! – Sandy falou.

- Eu tenho outro plano. Mas...

TRIIIIIIIIM.

O telefone de cima da mesa do recepcionista tocou.

- ...acho que não vamos precisar usá-lo. – completou Hisent.

- Alô? – murmurou o cara da recepção.

Esperamos alguns minutos para que ele se manifestasse.

- Ah, sim. Claro. Já estou indo para ai.

Então ele colocou de volta o telefone no gancho, disse algumas palavras ininteligíveis, se levantou, e foi direto á outra porta que nem eu sabia que existia. A porta ficava de frente ao balcão da recepção, só que lá nos fundos da sala de entrada do hotel. Quando ele saiu totalmente da sala, eu disse:

- É agora. Nossa hora chegou não é Hisent?

- Oh, quanta esperteza a sua! – nós demos uma risadinha.

- Um, dois, três, e... já! – dissemos nós.

No mesmo instante que saímos do cantinho daquela sala, o recepcionista com cara brava também saiu de onde estava. Mas que conversinha rápida. Ele gritou para nós:

- Onde pensa que vão á essa hora?

- Ahn... comprar pães? – sugeriu Hisent.

Nem esperamos ele terminar de falar direito. Saímos correndo á toda do hotel. Mas aconteceu alguma coisa. Quando estávamos pertinho da porta de saída, a porta saiu do local onde estava encaixada para o vento não tira-la de lá, e se fechou quase em nossa cara. Caímos de traseiro no chão. Doeu tanto que nem me perguntei como iríamos sair dali. Lembrei-me de uma coisa: estava morrendo de fome, mas agora a fome veio com muito mais força. – acho que foi por isso que me lembrei.

Mas agora isso não era importante. Levantamos-nos e tentamos abrir a porta. Era, abrir aquela porta, eu acho que a coisa mais difícil que fizera em toda minha vida. Com a força de nós três tentando abri-la, ela nem se quer se movia. Olhei para trás para ver o que estava acontecendo, e tive uma surpresa. O recepcionista estava com um facão enorme, com uma cara feia, perecendo um bicho estranho que nunca virá, mas conhecia de algum lugar e era um vulto. Isso realmente não era nada real. O cara da recepção, com certeza já havia sido morto, e pelo que acontecera há mais ou menos dói anos atrás, sei lá, estava ressuscitando. Ou já havia ressuscitado completamente e... não sei. Não sabia muito bem a história, mas de uma coisa eu sabia: ele era um cara morto.

Ele avançava cada vez mais em nossa direção mexendo o facão dele lentamente. Voltei a me concentrar na porta. Sabia que se eu não abrisse aquilo, com certeza já iríamos fracassar na nossa primeira parte da missão. E não haveria desse jeito nem a segunda parte.

Por sorte conseguimos mover a porta um pouquinho. Disse:

- Vamos gente! Vamos conseguir. Mais força ai!

- Sim, mas esta meio difícil demais, não é? – respondeu Hisent.

- Força! – incentivei.

Continuamos então. Mais um pouquinho conseguimos. Olhei novamente para trás e o monstro do recepcionista estava quase na gente. Abrimos mais um pouco da porta gigantesca. Agora já dava para passar por lá. Disse:

- Quem vai primeiro?

- Eu! Estou quase morrendo. Mas acho que vamos ter que passar todos juntos para não acabarmos fracassando em segurar a porta para um para o outro passar. – disse Sandy.

- Esta bem. – disse – Um, dois, três, e já! – repetimos a fala.

No começo foi difícil encaixarmos todos naquela abertura minúscula, mas o vento que estava contra nós diminuiu, e conseguimos.

De lá de fora deu para ver a porta batendo na cara do monstro que acabáramos de vencer. Quem diria? O recepcionista. Mas agora o difícil, era caminhar por aquele vento infernal de lá de fora. Parecia que o cara da recepção fez o vento começar para podermos não sair de lá do hotel. Talvez até fosse. Tudo agora parecia real para mim. Não só para mim. Mas para Hisent e Sandy também.

Estávamos atravessando a primeira esquina até a praia. Aos poucos o vento cessava. Hisent perguntou:

- O que era aquele cara?

- Era um vulto. – disse.

- Vulto?

- Sim. Ele era um vulto do mal...

- Mas isso existe? – disse Sandy.

- Calma. Vou explicar tudo á vocês.

Contei, então, a história todinha á eles. Pelo menos tudo o que eu sabia.

- Então você nos chamou para ajudar você nessa busca?

- Sim Hisent. Vocês são os meus melhores amigos, então... – Sandy ficou vermelha a me ver falar isso. Fiquei triste por falar isso mentindo.

- Eu acredito em você! – disse ela.

- Eu também!

- Ótimo! – respondi.

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