domingo, 23 de maio de 2010

escolha = 6º capitulo do livro

Acabou, que minha mãe chegou tarde demais por causa de um atraso, e eu dormi no sofá mesmo.

Quando ela chegou me acordou e falou para eu ir para a cama. Decidi não contar nada a ela agora.

Dessa vez não tive nem pesadelos e nem sonhos. Foi uma noite um tanto tranqüila.

- Filho. Acorde – chamou minha mãe ao lado do despertador que acabará de tocar, eu acho. – Preciso falar com você.

- Ahn... – não sabia o que responder a ela, pois sabia espantosamente o que ela queria saber.

Levantei-me e sentei na beirada da cama e ela se sentou ao meu lado.

- Por que você já está de volta? As viagens da escola sempre demoram mais de quatro ou cinco dias.

- A gente veio mais cedo esse ano. O governo que dá a viagem pra escola ganhadora, não deu todo o tempo necessário que sempre dão ás escolas que ganham o concurso, por motivos financeiros, e viemos embora. – foi o melhor que consegui pensar para falar.

- Ahn... – disse ela balançando a cabeça positivamente.

- E tem mais: por causa disso que aconteceu, a escola irá ficar em greve para o governo dar continuidade á viagem depois que conseguirem mais dinheiro, por que, mesmo quando conseguirem dinheiro, eles avisaram que não vão continuar a bancar as despesas do prêmio do concurso. Tendo greve, é capaz de aceitarem a continuar com a viagem.

- Ah, sim.

- E, mãe?

- Fala.

- Nesse meio-tempo de greve, eu posso visitar minha tia de São Paulo?

- Hmmm... sim, mas...

- Obrigado mãe. Amo-te! – dei uma risadinha falsa.

- Como você irá para a casa dela?

- De ônibus. Já sei me virar. Ela, quando eu estiver chegando, aviso para me buscar no aeroporto!

- Hmmm. Não vejo por que não.

- Obrigado!

Saltei da cama e dei um beijo nela.

- De nada.

- É... que dia você vai?

- Hoje.

- Hoje? Mas hoje mesmo?

- É. Tem problema?

- Ahn... não. Pode ir. Agora você vai?

- Isso.

- Hmmm. Então ta...

Sai correndo do quarto e peguei as coisas que achava que iria precisar na “viagem até São Paulo” e coloquei-as na mala.

Nem queria pensar que ainda teria que escolher duas pessoas ainda para irem comigo nessa aventura louca. Tinha de escolher pessoas habilidosas – pelo menos que eu achava que era – e espertas. Resolvi chamar Hisent. Ele era forte e – eu acho – esperto. Será que eu escolheria alguma garota para ir? Será que ela iria suportar, seja lá o que a gente encontrasse pelo caminho? Não sei. Não custa tentar não é? Sandy. Ela era esperta. Forte eu não sei. Mas eu iria chamar esses dois. Isso. Estava decidido. O duro era que teria de passar pelo Rio de Janeiro para pegá-los, porque estavam hospedados no hotel da viagem que ganháramos.

- Pronto, mãe! – falei.

- Já? – ela estava chorando.

Esse era o problema de minha mãe. Ela era muito dramática e chorava por qualquer coisa. Eu não gostava muito disso.

- Mãe, não chore. Eu vou ficar bem. Tchau.

- Tchau...

Senti uma pontada enorme de culpa quando sai por aquela porta. Estava saindo de casa, e não sabia se iria voltar vivo.

Lá fora, a cabana estava em frente a minha casa esperando-me. Girei a maçaneta e entrei no caixãozinho. Senti a mesma coisa que sentia quando entrava nela e lá estava de novo, pronto para sair não sei para onde.

Saí do caixão e da cabana e dei de cara com o mar. A praia não estava cheia. Eram umas oito da manhã e só havia nela algumas pessoas praticando esportes. Ninguém estava nadando, claro, pois estava frio de manhã e o céu era um pouco cinzento demais.

Atrás de mim havia vários hotéis de todos os tamanhos e tipos que alguém pode imaginar quando esta numa cidade igual Rio de Janeiro. Sabia já que era Rio de Janeiro, pois o cenário era o mesmo antes de eu obedecer àquela voz estranha de um vulto – eu acho – e entrar naquela cabana estranha até demais.

Bom, se eu estava no mesmo ponto em que entrei na cabana, o hotel que minha escola se inspedou estava á umas duas quadras dali. Ótimo. Perfeito.

Cheguei á uma rua movimentada demais para oito horas da manhã, mas eu não sabia nada daquele lugar. Era a primeira vez que visitava o Rio de Janeiro. Quer dizer. Segunda.

Quando estava a cem metros mais ou menos do hotel, vi viram a esquina á minha frente dois vultos. Eles vinham em minha direção, sem parar. Agora eu sabia quem eram eles de verdade. Pessoas que haviam morrido á pouco tempo que estavam ressuscitando pouco a pouco. Eu precisava mudar isso. O tempo estava se acabando.

Os vultos passaram por mim e me olharam de cima a baixo, como se dependessem de mim.

Cheguei ao hotel e entrei.

Parecia que o cara com expressão de “eu-te-odeio”, já sabia que eu era da escola que estava naquele hotel e deixou-me entrar. Legal. A primeira parte foi fácil.

Subi umas escadas e fiquei de cara com o quarto em que estava Hisent e Sandy. Duzentos e dois. Entrei sem querer acordar ninguém, porque estavam dormindo – ainda bem – e fui direto á cama de Hisent. Chamei-o e o chacoalhei para lá e para cá tentando o acordar.

- O que? O que foi? – ele acordou desesperado.

- Calma, sou eu Phrederick.

- Phrederick! Graças a Deus!

- O que?

- Pensei que estava perdido por ai.

- Ah, entendi. Eu fui até a casa da minha tia, a visitar.

- Não devia. Você sumiu por três dias!

- O que? Três?

- Sim. Por quê?

- Ahn... depois te explico. Precisamos ir!

- Ir? Ir para onde?

- Já disse, depois te explico. Só quero saber se você aceita me ajudar a fazer uma busca?

- Busca?

- Sim.

- Aceito. Que busca?

- Não me faça perguntas agora.

- Esta bem.

- Vamos ter de chamar Sandy para ir também. Ajuda-me a acordá-la sem acordar o resto das crianças?

- Sim.

Fomos até á cama de Sandy. Se você está se perguntando como vou explicar a eles a historia toda, foi por isso mesmo que os escolhi. Eles, geralmente, são o que mais acreditam em coisas que não são reais, o que fica fácil a explicação de tudo.

- Sandy – eu e Hisent chamamos.

- Oi? – ela acordou.

- Precisamos ir a uma busca com Phrederick! – disse Hisent apressado. Parecia, desse jeito, que ele já sabia de tudo.

- Que busca?

- Nos te explicamos depois. Aceita?

- Claro.

Ela saiu da cama e foi para a gavetinha dela e Hisent á dele. Algum dos dois a puxou com muita força e fez um barulho horrível.

- Ei! Cuidado ai! Não podemos acordar ninguém!

- Tudo bem. Desculpa. – disse Sandy.

- Sim. – respondi.

Eles pegaram tudo o que a eles pertenciam, e saímos do quarto correndo sem nem fechar a porta ou olhar para trás.

Paramos perto da recepção por que sabíamos que o cara recepcionista iria nos barrar e nos mandar para o quarto novamente. Havia duas escolhas para sair de vez dali e enfrentar aquela missão frente a frente: inventar uma desculpa convincente, ou distrair o recepcionista para podermos passar sem ele nos ver.

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