terça-feira, 18 de maio de 2010

pesadelos = 2º capitulo do livro

Fui para a casa dela pensando em uma desculpa boa, para o acontecido. Pensei: eu podia ter ido em casa e não tinha a chave, por isso voltei. Não. Como que eu iria estar sem chave se antes eu tinha aberto e fechado a casa para vir pra minha tia? Burrice. Pensei de novo, melhor: eu fui à minha casa e não tinha nada pra fazer lá, por isso voltei. Não também. Eu havia dito á minha tia que tinha tarefa e isso é uma coisa para fazer. A não ser que eu esperasse, o tempo certo que uma pessoa demora em fazer uma tarefa e depois voltasse a casa dela falando que eu já tinha acabado, e – agora sim – não havia mais nada a fazer lá. Isso. Resolvi esperar então. Dez, quinze, vinte minutos esperando. Estava bom. Voltei á casa da minha tia.

Mais uma surpresa: no meio do caminho até a casa da minha tia tropecei – bem o meu estilo – e caí em um bueiro. Agora você me pergunta: “como você caiu em um bueiro? O bueiro não é muito pequeno para uma pessoa poder se encaixar lá dentro?”. Sim. É. Só que este estava em construção ainda, por isso estava grande. Isso, para você ver a sorte que eu tenho. Tudo bem. Caí, e lá estava muito escuro. Quando eu me apoiei na borda do bueiro para me levantar, ouvi uma voz estranha, mas era familiar. Familiar assim: eu nunca tinha ouvido, mas conhecia. E isso era muito, muito, estranho. Ela dizia:

- Ei, Phrederick, olhe para cá.

- Quem é você? O que você quer?

- Nossa. Você não me conhece?

- Não... quer dizer. Eu acho que conheço sua voz, mas não sei de onde nem como.

- Eu sou seu amigo. Hahaha...

Então a voz se foi.

- Ei! Espere. Quem é você?

Mas ninguém respondeu, e eu estava sozinho em baixo do bueiro.

Agora, consegui me levantar, mas estava todo sujo, cheio de água e outras coisas nojentas que ficam lá em baixo. Agora eu me pergunto em como iria explicar isso para minha tia. Mas eu não iria explicar. Resolvi voltar para minha casa e tentar novamente abrir a porta.

Cheguei á porta amaldiçoada, e coloquei a chave na fechadura.

- Vamos lá. – incentivei-me.

Girei a chave. Uma, duas vezes, e por sorte a porta abriu!

Legal.

Agora iria tomar banho e vestir-me.

Quando sai do banheiro, decidi o que iria fazer. Não sabia. O que será que eu faria depois de tudo o que acontecerá? Decidi ficar em casa, para que talvez a voz que havia conversado comigo no bueiro reaparecesse, e precisava perguntar varias coisas á ela.

Fui para o computador, e fiquei. Fiquei. Fiquei. Nada de estranho. Fui andar um pouco na rua porque foi na rua que eu encontrara a voz. Andei. Andei. Andei. Nada. Decidi então, voltar. Hoje, pelo visto, não ouviria mais nenhuma voz.

Dez da noite e minha mãe chegou do trabalho. Abriu a porta normalmente, e falou:

- Oi, filho, como foi seu dia? – já virara rotina ela perguntar isso todas as vezes que chegara, e também já virou rotina minha resposta.

- Ótimo. E o seu?

- Ótimo também. Tem tarefa?

- Tinha. Fiz de tarde – menti para ela também caso perguntasse á minha tia.

- Ahn... estava fácil?

- É. Estava.

- Que bom!

Sorri.

Resolvi ir deitar e pensar sobre amanhã.

Falei:

- Boa noite, mãe.

- Boa noite.

Meu pesadelo começou assim.

Estava voltando da escola numa tarde pacata, e passava em frente á casa abandonada. Vi, não só um, mas milhares de vultos indo e voltando. Pareciam pessoas conhecidas, mas não dava para ver quem eram porque estavam muito rápido, e a escuridão da pele dos vultos – se é que vulto tem pele – era muita.

Falavam ás vezes para mim “estamos voltando, aguarde”.

Eu sinceramente não sabia o que eles queriam dizer, mas depois disso, me vi em um cemitério. Os mortos que estavam nos túmulos, saiam de suas covas e iam direto para a saída. Eles – eu acho – eram os vultos que tinha visto na casa abandonada, só que no cemitério agora. De repente, um vulto chegou perto de mim, me balançou igual quando minha mãe me balança quando não escuto o relógio me acordando, e ela vem me acordar. Ele disse:

- Filho! Acorde!

Foi quando percebi que acordei e não era um vulto que estava me balançando, e sim minha mãe.

- O que você está pensando? Acorde!

- Ah, sim. Tudo bem.

Agora eu queria era saber o porquê de todo o sonho, não estava com vontade nenhuma de ir pra escola.

Minha mãe saiu do quarto, falando alguma coisa que não entendi. Vi o relógio e já eram seis e quarenta e cinco. Estava muito atrasado para a escola.

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