quinta-feira, 20 de maio de 2010

descubro um cemitério = 4º capitulo do livro

Na verdade, eu não estava bem lá em cima do pico do Monte Everest, mas sim a mais ou menos dois km a baixo dele. Então, resolvi subir até lá. Mas como? Estava ventando demais ao contrário da direção que eu estava indo, então era meio um pouco difícil demais subir a enorme montanha. Mas o mais impressionante, era que eu não sabia por que estava fazendo aquilo, e nem sabia como fora parar ali de verdade. Aquilo não era possível. Foi quando a voz reapareceu:

- Continue subindo e veras, a sua missão, meu jovem.

- O que? Que missão? Do que você esta falando?

- Verás. Verás...

E de repente caiu um enorme bastão de ferro na minha mão, como uma bengala com um apoio para colocá-la.

- Isto irá ajudar-te a subir a montanha.

- Obrigado, seja você quem for.

Então me apoiei no bastão e consegui me mexer do local onde estava desde que sai da cabana. Agora sim, estava muito mais fácil me locomover, mas ainda estava difícil.

Quando cheguei ao pico da montanha, vi que essa não devia ser muito bem a montanha mais alta do mundo por que não parecia com o Monte Everest. Pouco abaixo do pico da montanha, havia um tamanho de cemitério enorme que dava o da minha cidade inteira e mais outros mil cemitérios iguais juntos. Aquele devia ser o maior cemitério do mundo e não a maior montanha do mundo. Mas havia alguma coisa errada naquele cemitério. Todos os caixões estavam abertos e vazios, só um homem estava lá em baixo, me encarando como se estivesse me esperando por anos, sentado em uma cadeirinha pequena de bar. Detalhe: ele era um vulto. Mas um vulto normal, igual do que eu vira na casa abandonada. Uma pessoa, se não fosse pelo corpo igual de um fantasma que atravessa paredes. Ele devia ser o cara que cuidava de tudo lá, mas pelo jeito não havia cuidado muito bem nos últimos tempos. Desci até ele então.

- Oi – disse eu.

- Olá... você veio então, não é?

- Ahn... do que você esta falando?

- Ué? Seu amigo que lhe fez vir para cá não te contou?

- Que amigo me fez vir para cá?

- Ahn... – ele pensou um pouco. – Acho que ele ainda não te falou nada a respeito do que esta acontecendo não é?

- É. Acho que não. E, onde estou? Que lugar é esse?

- Ora, essa é a cidade dos mortos! – ele sorriu. – Deixa eu te explicar, por que vocês humanos não acreditam em nada que seja fora do normal padrão de seus tempos.

Ele então puxou uma cadeira de trás da dele, que por acaso não tinha visto quando chegara ali.

- Sente-se. A história é longa.

Sentei-me, pouco á vontade perto de um desconhecido que acabara de conhecer, e logo ele começou a me contar sobre a história do cemitério.

- Bom, como eu disse essa é a cidade dos mortos. O maior cemitério do mundo. Todos os cemitérios de todas as cidades do mundo ficam aqui. Aqueles cemitérios são só para avisar de que acabara de morrer outra pessoa. E a pessoa que morreu, seja homem ou mulher, depois de enterrados, fazem um transporte para esse cemitério automaticamente. Cada pessoa que se transporta, um caixão novo aparece junto com o corpo dela. E assim, ficam para sempre aqui, mas sem nunca morrer. Jamais. Elas só morrem no mundo em que foram mortas, mas aqui, nunca. Por isso, podem ser libertadas por alguém que tem as chaves dos caixões em mãos, e esse alguém, sou eu. Daí você me pergunta: “o que acontece quando os mortos são libertados?”. Muita coisa. Podem até causar o impacto de ninguém nunca mais morrer. Por que quando são libertados voltam para suas casas, provocam um enlouquecimento nos familiares, e ainda, quando alguém no mundo morre, vindo direto para cá, o caixão do morto vai estar aberto automaticamente, e ele, por sua vez, irá voltar para sua casa novamente e assim, vai. Mas também tem a condição de que todos os mortos quando voltam para suas casas, não reaparecem imediatamente. Eles ficam primeiro em forma de vultos, e pouco a pouco reaparecem totalmente. Todos os caixões só pertencem a uma única chave, o que torna mais fácil a libertação dos donos deles. – ele apontou para os caixões que estavam atrás dele.

- Hmmm. – disse com interesse. – Agora me explique por que disse “você veio então, não é?”. O que exatamente quis dizer com isso?

- Então, agora que já sabe como tudo aqui funciona, precisa saber do acontecido dos últimos dois anos, e por que pedimos para que você viesse intervir ao nosso mundo para ajudar-nos. – ele me olhou seriamente. – Tudo começou quando eu, certo dia, estava dormindo, em meu caixão, e, como de costume, deixei a chave dos caixões de baixo do meu. (Ah, pra sua informação eu não tranco meu caixão, para o caso de acontecer algum imprevisto, algum ladrão ou coisa assim). Quando acordei, fui tentar pegar minha chave e não a encontrei em lugar algum. Procurei por todos os lados a chave, mas nada. Alguém havia roubado ela de mim. E pior: os mortos foram libertados. Foi por isso que quando você chegou aqui, estava tudo aberto sem ninguém dentro. Agora vou responder diretamente sua pergunta: o que eu quis dizer com “você veio então, não é?”, é simples. Você foi escolhido para vir ajudar-nos a descobrir o ladrão, recuperar a chave dos caixões, recuperarem também os mortos, e trancá-los de volta nos caixões. Respondida sua pergunta?

- Ahn... claro. Qual é seu nome?

- Ah, na verdade eu esqueci por que faz tempo que morri.

- Ei! Se você também é um morto, por que não saiu á vida novamente igual os outros?

- Por que eu fui o morto escolhido pelo tribunal dos mortos, para proteger o cemitério. Assim, eu sou obrigado a ficar aqui o tempo todo sem nunca sair.

- Ahn.

- Agora, se não se importa, temos que ir dormir.

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